Valuation – KS | Perícias https://kspericias.com.br Perícias, Avaliações e Consultoria Empresarial Mon, 22 Jun 2026 01:31:25 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.1 https://kspericias.com.br/wp-content/uploads/2026/02/cropped-KS-favicom-32x32.webp Valuation – KS | Perícias https://kspericias.com.br 32 32 Como calcular um sonho? https://kspericias.com.br/2026/06/22/como-calcular-um-sonho/ Mon, 22 Jun 2026 01:31:24 +0000 https://kspericias.com.br/?p=1160 Há uns dias, estive na EBAA, Encontro Brasileiro de Autos Antigos, e vi carros muito incríveis de várias marcas, estilos e idades.

Entre eles, me chamou a atenção um Cadillac 1978, anunciado por R$ 550 mil.

Perguntei ao vendedor como ele precificava um item tão único. A resposta foi simples e, ao mesmo tempo, bastante sofisticada:

“Depende de quanto vale o sonho do outro.”

Fiquei com isso na cabeça.

À primeira vista, parece uma resposta subjetiva demais. Afinal, como calcular um sonho? Como atribuir valor a algo que envolve memória, desejo, nostalgia, raridade e pertencimento?

Mas talvez esse seja justamente o ponto.

O carro, em si, é um bem tangível. Tem marca, ano, motor, estado de conservação, documentação, histórico, originalidade e custo de manutenção. Todos esses elementos ajudam a formar uma base objetiva de análise.

Mas o preço de um carro antigo não nasce apenas da soma desses fatores.

Ele também depende do que aquele bem representa para determinado público. Para alguns, é apenas um carro antigo. Para outros, é um símbolo de época, status, coleção, infância, admiração ou realização pessoal.

É nesse ponto que o tangível encontra o intangível.

Ainda assim, isso não significa que o valor seja arbitrário.

Mesmo o “sonho” precisa encontrar mercado. Precisa existir alguém disposto a pagar por ele, e precisa existir uma oferta limitada o suficiente para sustentar esse valor. Em outras palavras, o preço se forma quando desejo e escassez se encontram.

Um Cadillac 1978 pode ter valor porque é raro. Mas também porque existe um grupo específico de pessoas que reconhece essa raridade, deseja esse objeto e tem capacidade econômica para adquiri-lo.

Sem demanda, a raridade sozinha não sustenta preço. Sem escassez, o desejo perde força. Sem referência, a precificação vira opinião.

Essa lógica também aparece em muitos processos de valuation.

Marcas, tecnologias, patentes, carteiras de clientes, pontos comerciais e outros ativos intangíveis muitas vezes carregam dimensões difíceis de tocar, mas nem por isso impossíveis de avaliar.

Uma marca pode representar confiança, reputação, recorrência, preferência e diferenciação. Uma tecnologia pode representar eficiência, barreira de entrada ou vantagem competitiva. Uma base de clientes pode representar relacionamento, previsibilidade e potencial de receita.

Nada disso é físico. Mas tudo isso pode gerar impacto econômico.

O desafio do valuation está justamente em traduzir esses elementos em critérios técnicos. Não para eliminar a subjetividade, mas para organizá-la com método.

No caso do carro antigo, seria possível olhar para transações comparáveis, estado de conservação, originalidade, raridade do modelo, histórico, liquidez do mercado e perfil dos compradores. O “sonho” continuaria existindo, mas passaria a ser analisado dentro de uma lógica econômica.

O mesmo acontece com ativos intangíveis.

O valor não está apenas no que o ativo é, mas no que ele é capaz de gerar. Receita, margem, preferência, retenção, eficiência, diferenciação ou poder de negociação.

Talvez a pergunta não seja exatamente “quanto vale um sonho?”.

Talvez seja:

quais evidências mostram que esse sonho tem mercado?

Porque, no fim, valor não é apenas aquilo que alguém deseja.

É aquilo pelo qual existe demanda real, oferta limitada e disposição concreta de pagamento.

Um abraço,

Fábio Domingues.

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