KS | Perícias https://kspericias.com.br Perícias, Avaliações e Consultoria Empresarial Wed, 08 Jul 2026 17:40:15 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://kspericias.com.br/wp-content/uploads/2026/02/cropped-KS-favicom-32x32.webp KS | Perícias https://kspericias.com.br 32 32 Perito e disputas judicias: quando a lei precisa do conhecimento técnico https://kspericias.com.br/2026/07/08/perito-e-disputas-judicias-quando-a-lei-precisa-do-conhecimento-tecnico/ https://kspericias.com.br/2026/07/08/perito-e-disputas-judicias-quando-a-lei-precisa-do-conhecimento-tecnico/#respond Wed, 08 Jul 2026 17:38:14 +0000 https://kspericias.com.br/?p=1218 Cerca de 17 milhões de processos estão em andamento no Tribunal de Justiça de São Paulo. Por trás desse volume, existem disputas que não podem ser esclarecidas apenas pela interpretação da lei.

Em muitos casos, é necessário compreender fatos técnicos, documentos, operações, ativos e impactos econômicos. É nesse momento que entra a perícia: uma análise especializada que ajuda a demonstrar o que aconteceu, quais foram as causas e quais consequências estão relacionadas ao conflito.

O que é perícia?

A perícia é uma análise técnica ou científica utilizada para esclarecer questões que exigem conhecimento especializado.

Segundo o Código de Processo Civil, a prova pericial pode consistir em exame, vistoria ou avaliação. O perito analisa as evidências, aplica métodos reconhecidos e apresenta conclusões fundamentadas para contribuir com a compreensão do processo.

Seu papel não é substituir a decisão do juiz nem emitir opiniões pessoais. A função da perícia judicial é traduzir questões complexas em informações técnicas claras e verificáveis.

Por isso, um laudo pericial deve apresentar o objeto analisado, os métodos utilizados, as evidências consideradas e as respostas aos quesitos formulados pelas partes.

Em uma perícia, não basta chegar a uma conclusão. É necessário demonstrar como ela foi construída.

Quando uma perícia precisa ser multidisciplinar?

Os problemas empresariais raramente respeitam as fronteiras entre diferentes áreas do conhecimento.

Uma questão que começa na engenharia pode gerar consequências na operação, na contabilidade, no fluxo de caixa e no valor de um ativo. Da mesma forma, uma disputa societária pode envolver demonstrações financeiras, imóveis, máquinas, contratos, marcas e capacidade futura de geração de resultados.

O próprio Código de Processo Civil reconhece essa realidade. O artigo 475 prevê que, quando uma perícia complexa envolver mais de uma área de conhecimento especializado, podem ser nomeados diferentes peritos e assistentes técnicos.

A perícia multidisciplinar torna-se necessária quando uma única especialidade não é suficiente para explicar o problema por inteiro.

O risco de uma análise fragmentada

Em uma disputa empresarial, as informações podem estar distribuídas entre contratos, planilhas, relatórios técnicos, registros contábeis, sistemas e documentos operacionais.

Quando cada elemento é analisado separadamente, podem surgir lacunas.

A engenharia pode identificar a causa de uma falha, mas não mensurar todos os seus impactos financeiros. A contabilidade pode apurar os valores registrados, mas não compreender as limitações técnicas da operação. Uma avaliação de ativos pode desconsiderar condições que afetam sua utilização ou capacidade de gerar benefícios econômicos.

O resultado pode ser uma série de análises corretas isoladamente, mas insuficientes para explicar o conflito como um todo.

Por isso, a qualidade de uma perícia multidisciplinar não depende apenas da profundidade de cada especialista. Depende também da capacidade de conectar evidências, métodos e conclusões.

Exemplos de perícias multidisciplinares

Obras e empreendimentos

Uma disputa envolvendo falhas construtivas, atrasos ou descumprimento contratual pode exigir conhecimentos de engenharia civil, engenharia de custos, contabilidade e avaliação patrimonial.

Além de identificar a causa técnica, pode ser necessário verificar medições, pagamentos, custos de reparação, perda de valor do imóvel e impactos provocados pela indisponibilidade do ativo.

Conflitos societários

A apuração de haveres ou a saída de um sócio pode envolver contabilidade, finanças, avaliação de empresas e avaliação de ativos.

Nesse tipo de caso, analisar apenas o balanço pode não ser suficiente. Também podem ser relevantes os imóveis, máquinas, contratos, marcas, tecnologia, carteira de clientes e a capacidade futura de geração de caixa.

Interrupção de operações

Um acidente, uma falha técnica ou um descumprimento contratual pode provocar a paralisação parcial ou total de uma empresa.

Para mensurar os impactos econômicos, é necessário compreender a causa da interrupção, o tempo de recuperação, a capacidade produtiva afetada, os custos adicionais e as receitas que deixaram de ser geradas.

Engenharia, operação, contabilidade e finanças precisam trabalhar de maneira integrada para que os cálculos representem a realidade do negócio.

O papel da experiência sênior

A experiência em perícias complexas não se resume ao tempo de atuação. Ela aparece na capacidade de definir corretamente o escopo, identificar as informações relevantes e escolher os métodos mais adequados.

Profissionais seniores também conseguem reconhecer inconsistências, limitações nas evidências e relações entre aspectos técnicos, patrimoniais e financeiros.

Mais do que conhecer respostas, experiência significa saber quais perguntas precisam ser feitas antes de chegar a uma conclusão.

Multidisciplinaridade exige integração

Uma equipe multidisciplinar não é formada apenas pela presença de profissionais de diferentes especialidades.

É necessário que todos trabalhem a partir do mesmo problema, compartilhem premissas e compreendam como as conclusões de uma área afetam as demais.

Sem essa integração, a perícia pode se transformar em um conjunto de análises isoladas. Com coordenação técnica, passa a oferecer uma visão mais clara, coerente e completa da controvérsia.

A atuação da KS em perícias complexas

Na KS, profissionais seniores de diferentes áreas trabalham de forma integrada na realização de perícias, avaliações e análises técnicas.

Cada caso é estudado a partir de suas particularidades, considerando as evidências, os métodos aplicáveis e as diferentes dimensões do problema.

O objetivo não é aplicar respostas prontas, mas construir conclusões técnicas claras, consistentes e devidamente fundamentadas.

Porque, em uma perícia, não basta analisar cada parte. É preciso compreender o problema como um todo.

Não é opinião, é KS.

]]>
https://kspericias.com.br/2026/07/08/perito-e-disputas-judicias-quando-a-lei-precisa-do-conhecimento-tecnico/feed/ 0
Caso TNG https://kspericias.com.br/2026/07/06/caso-tng/ https://kspericias.com.br/2026/07/06/caso-tng/#respond Mon, 06 Jul 2026 17:05:53 +0000 https://kspericias.com.br/?p=1205 Pontos comerciais como garantia em recuperação judicial

É comum associar o valor de uma empresa aos seus ativos mais evidentes — imóveis, equipamentos, estoque, caixa ou contas a receber. Mas, muitas vezes, parte relevante desse valor está em ativos intangíveis e não calculados. Foi esse o caso da TNG, que procurou a KS para avaliar seus pontos comerciais de forma que fossem incluídos como parte do plano de recuperação judicial ocorrido em 2022.

A TNG, conhecida varejista do setor de moda, possui cerca de 100 pontos de venda distribuídos nas cinco regiões do Brasil, com presença nos principais shopping centers e localizações estratégicas dentro desses empreendimentos. Esses pontos comerciais estão associados a fatores como valor do m2 do bairro, fluxo médio de pessoas, posicionamento dentro do shopping, proximidade com pontos âncoras e consequente potencial de geração de receita.

Do ponto de vista jurídico e econômico, o ponto comercial se consolida como um ativo do lojista após o prazo contratual mínimo — usualmente de cinco anos — quando se estabelece o direito de exploração daquele espaço. A partir desse momento, o ponto passa a ter valor próprio, distinto do imóvel, podendo ser tratado como um ativo intangível relevante dentro da operação.

O desafio, portanto, não era apenas conceitual, mas técnico. Avaliar exatos 98 pontos comerciais de forma individual exigiria uma abordagem pouco eficiente e difícil de sustentar em um contexto de recuperação judicial. A solução foi estruturar uma metodologia de avaliação em massa, baseada em variáveis de mercado — como custo total de ocupação, características de localização e diferenciais entre os pontos — permitindo tratar o portfólio com consistência e garantir padronização no cálculo dos pontos de venda.

A partir dessa análise, foi possível estimar o valor econômico dos pontos comerciais da TNG. O montante passou a compor a base de garantias apresentada aos credores no plano de recuperação judicial, aprovado em setembro de 2022, evidenciando, de forma objetiva, o valor de um ativo que até então não havia sido formalmente mensurado.

Ativos intangíveis — como pontos de venda — podem representar parcelas relevantes do valor de uma empresa e contribuir em diversas situações. Quando avaliados com rigor técnico, deixam de ser apenas parte da operação e passam a assumir um papel estratégico, especialmente em momentos em que comprovar valor é fundamental.

]]>
https://kspericias.com.br/2026/07/06/caso-tng/feed/ 0
Como calcular um sonho? https://kspericias.com.br/2026/06/22/como-calcular-um-sonho/ Mon, 22 Jun 2026 01:31:24 +0000 https://kspericias.com.br/?p=1160 Há uns dias, estive na EBAA, Encontro Brasileiro de Autos Antigos, e vi carros muito incríveis de várias marcas, estilos e idades.

Entre eles, me chamou a atenção um Cadillac 1978, anunciado por R$ 550 mil.

Perguntei ao vendedor como ele precificava um item tão único. A resposta foi simples e, ao mesmo tempo, bastante sofisticada:

“Depende de quanto vale o sonho do outro.”

Fiquei com isso na cabeça.

À primeira vista, parece uma resposta subjetiva demais. Afinal, como calcular um sonho? Como atribuir valor a algo que envolve memória, desejo, nostalgia, raridade e pertencimento?

Mas talvez esse seja justamente o ponto.

O carro, em si, é um bem tangível. Tem marca, ano, motor, estado de conservação, documentação, histórico, originalidade e custo de manutenção. Todos esses elementos ajudam a formar uma base objetiva de análise.

Mas o preço de um carro antigo não nasce apenas da soma desses fatores.

Ele também depende do que aquele bem representa para determinado público. Para alguns, é apenas um carro antigo. Para outros, é um símbolo de época, status, coleção, infância, admiração ou realização pessoal.

É nesse ponto que o tangível encontra o intangível.

Ainda assim, isso não significa que o valor seja arbitrário.

Mesmo o “sonho” precisa encontrar mercado. Precisa existir alguém disposto a pagar por ele, e precisa existir uma oferta limitada o suficiente para sustentar esse valor. Em outras palavras, o preço se forma quando desejo e escassez se encontram.

Um Cadillac 1978 pode ter valor porque é raro. Mas também porque existe um grupo específico de pessoas que reconhece essa raridade, deseja esse objeto e tem capacidade econômica para adquiri-lo.

Sem demanda, a raridade sozinha não sustenta preço. Sem escassez, o desejo perde força. Sem referência, a precificação vira opinião.

Essa lógica também aparece em muitos processos de valuation.

Marcas, tecnologias, patentes, carteiras de clientes, pontos comerciais e outros ativos intangíveis muitas vezes carregam dimensões difíceis de tocar, mas nem por isso impossíveis de avaliar.

Uma marca pode representar confiança, reputação, recorrência, preferência e diferenciação. Uma tecnologia pode representar eficiência, barreira de entrada ou vantagem competitiva. Uma base de clientes pode representar relacionamento, previsibilidade e potencial de receita.

Nada disso é físico. Mas tudo isso pode gerar impacto econômico.

O desafio do valuation está justamente em traduzir esses elementos em critérios técnicos. Não para eliminar a subjetividade, mas para organizá-la com método.

No caso do carro antigo, seria possível olhar para transações comparáveis, estado de conservação, originalidade, raridade do modelo, histórico, liquidez do mercado e perfil dos compradores. O “sonho” continuaria existindo, mas passaria a ser analisado dentro de uma lógica econômica.

O mesmo acontece com ativos intangíveis.

O valor não está apenas no que o ativo é, mas no que ele é capaz de gerar. Receita, margem, preferência, retenção, eficiência, diferenciação ou poder de negociação.

Talvez a pergunta não seja exatamente “quanto vale um sonho?”.

Talvez seja:

quais evidências mostram que esse sonho tem mercado?

Porque, no fim, valor não é apenas aquilo que alguém deseja.

É aquilo pelo qual existe demanda real, oferta limitada e disposição concreta de pagamento.

Um abraço,

Fábio Domingues.

]]>